domingo, 8 de junho de 2014

O Ambiente Escolar para Crianças com Transtorno no Processamento Sensorial

Mudanças de ambiente, barulho, movimento das outras crianças, toques inesperados dos amigos podem sobrecarregar sensorialmente a criança com Transtorno Processamento Sensorial (TPS). Transtorno do processamento sensorial acontece quando as informações sensoriais do ambiente e de dentro de nossos próprios corpos não se organizado e interpretado corretamente e de forma eficiente pelo cérebro.

Dificuldade de entrar na sala de aula:
- Não gosta que sua mão seja guiada;
- Evita contato físico (beijo, abraços);
- Incomoda-se com esbarrões dos colegas;
-Assusta-se com barulho proveniente dos colegas arrumando o material, sentando e guardando a mochila...

Estratégias:
1. Ser o primeiro ou o último a entrar na sala de aula;
2. Evitar muitos toques, principalmente leves;
3. Estabelecer a rotina para acesso a sala de aula;

Sala de Aula
1. Diminuição de ruídos externos/internos;
2. Não sobrecarregar verbalmente o aluno. Frases curtas e simples;
3. Planejamento das atividades para diminuir materiais desnecessários;
4. Ajudar o aluno a manter suas carteiras organizadas pode ajudá-los não se distrair visualmente
5. Rotina nas atividades (apoio visual). Painel com fotos das atividades.
Lembrar: salas com grande intensidade de estímulos visuais e auditivos proporcionam distrações e assim uma maior dificuldade no aprendizado e concentração.

Hora do Lanche
1. Ambiente mais calmo;
2. Evita iluminação direta;
3. Abaixe o tom de sua voz;
4. Deixe ambiente visualmente mais limpo possível;
5. Os alimentos preferidos da criança; favorecendo uma maior interesse e aceitação.

Recreio
1. Respeitar as necessidades sensoriais da criança
2. Proporcionar cantos com brinquedos que as crianças possam escolher
3. Trabalhar com pequenos grupos em atividades diferentes proporcionando a escolha do grupo e ou atividade
4. Oferecer espaços e atividades que a criança possa brincar em grupos,com um ou dois amigos ou mesmo ficar sozinha.

Saída da Sala
1. Painel da Rotina e explicar para criança o que vai ocorrer (auditiva e visual);
2. Diminuir a chance de comportamento negativo eliminando os estímulos aversivos ( toques e barulho);
3. Deixar a criança carregar a sua mochila nas costas;
4. A criança pode ser a primeira ou a última a deixar a sala de aula.

Outras dicas de modificações e estratégias para ambiente da escola para crianças com TPS. Para as atividades em sala de aula:
1. Organizar o materiais em caixas ou pastas (pistas visuais);
2. Antecipar e sistematizar tarefas apresentadas;
3. Rotina nas atividades;
4. Informações das atividades podem ser auditivas e/ou visuais;
5. Não force contato visual, a criança pode estar compreendendo mesmo que não esteja olhando;
6. Criar situações diferentes para apresentar o mesmo conteúdo, usar recursos visuais, auditivos, táteis, movimento para explorar a mesma atividade;
7. Possibilitar mudanças de posição ou uso de assento diferenciado ao longo do período;
8. Para atividades táteis pode utilizar recursos como pincéis, luvas e rolos possibilitam que a criança a escolha de tocar ou não em determinadas texturas e consistências;
9. Introduzir um estimulo tátil de cada vez (massinha, tinta, areia ou colagem);

Quando diminuímos todos os estímulos, a aceitação do estimulo aversivo pode ser melhor.

A maioria das escolas exigem que o aluno fique quieto, parado e preste atenção na fala do professor por períodos cada vez mais longos à medida que amadurecem. Isso não é fácil para muitas crianças. A sala de aula muitas vezes pode ser um ambiente desafiador para uma criança. Os professores podem melhorar o conforto desses alunos e comportamento através do uso de atividades de integração sensorial. As atividades visam melhorar a capacidade da criança de se concentrar, manter a calma e ficar quieto. 

Fonte: Aline Momo e Claudia Silvestre -Artevidade

terça-feira, 3 de junho de 2014

Programa Son Rise para Autistas

O programa Son Rise surgiu nos Estados Unidos, na década de 70, quando Barry e Samahria Kaufman receberam o diagnóstico do filho Raun como autismo severo, sem esperança de recuperação. Eles não ficaram satisfeitos com o que ouviram dos médicos, e  decidiram procurar alguma forma de ajudar o filho. A partir desta procura, surgiu o método Son Rise.

Frequentemente, quando pais recebem o diagnóstico de autismo para a sua criança, também é oferecido a eles uma perspectiva cheia de pessimismo e a sugestão para que se conformem a uma condição trágica e irreversível da criança. O trabalho com abordagens educacionais relacionais, algumas abordagens biomédicas do autismo e a atual neurociência mostra que esta não precisa ser a única perspectiva a ser adotada. Os cérebros das pessoas com autismo apresentam grande plasticidade. Isto significa que os cérebros destas pessoas aprendem, se desenvolvem e podem ser modificados por cada experiência vivida – assim como qualquer cérebro. Ao oferecermos um ambiente de aprendizado otimizado, nós podemos ajudá-las a reconstruir os seus cérebros e aprender a superar os desafios relativos a habilidades sociais e de comunicação típicos do autismo.

A perspectiva tradicional vê o autismo como uma desordem comportamental. Como conseqüência deste pensamento, as abordagens costumam focar na mudança do comportamento, tentando eliminar os chamados comportamentos atípicos. O Son Rise vê o autismo como o desenvolvimento resultante de um sistema neurobiológico programado para operar de forma diferente. A conseqüência desta nova forma de pensar o autismo é a terapia que busca oferecer um ambiente físico e social que leve em conta esta diferença biológica e que promova o aprendizado e o bem-estar de cada criança ou adulto. 

O Programa Son-Rise é lúdico. A ênfase está na diversão. Isto significa que os pais, facilitadores e voluntários seguem os interesses da criança e oferecem atividades divertidas e motivadoras nas quais a criança esteja empolgada para participar. O mesmo aplica-se para o trabalho com um adulto. As atividades são adaptadas para serem motivadoras e apropriadas ao estágio de desenvolvimento específico do indivíduo, qualquer que seja sua idade. Uma vez que a pessoa com autismo esteja motivada para interagir com um adulto, este adulto facilitador poderá então criar interações que a ajudarão a aprender todas as habilidades do desenvolvimento que são aprendidas através de interações dinâmicas com outras pessoas (por exemplo, o contato “olho no olho”, as habilidades de linguagem e de conversação, o brincar, a imaginação, a criatividade, as sutilezas do relacionamento humano). O Programa Son-Rise apresenta uma abordagem altamente inovadora e dinâmica ao tratamento do autismo e outras dificuldades de desenvolvimento similares (como a síndrome de Asperger, por exemplo) – uma abordagem relacional. Não é um conjunto de técnicas e estratégias a serem utilizadas com uma criança. É um estilo de se interagir, uma maneira de se relacionar com uma criança que inspira a participação espontânea em relacionamentos sociais. Instrui os pais na criação destas efetivas interações com a criança ou adulto de forma que eles possam dirigir o programa de seus filhos e ajudá-los durante todas as interações diárias com eles. Os pais aprendem a interagir de forma prazerosa, divertida e entusiasmada com a criança, encorajando então altos níveis de desenvolvimento social, emocional e cognitivo. 

Profissionais de abordagens relacionais como a do Programa Son Rise têm visto durante as últimas três décadas que a aceitação e apreciação das atividades e interesses da criança auxilia na construção de uma ponte que pode levar à interação social com uma criança com autismo. Através da interação social, muitas outras habilidades podem ser aprendidas pela criança. Atuais estudos científicos demonstram o valor desta abordagem (Dawson & Galpert, 1990; Kim & Mahoney, 2004; Mahoney & Perales, 2005 e Trivette, 2003). 

O Programa Son-Rise é centrado na pessoa com autismo. Isto significa que o tratamento parte do desenvolvimento inicial de uma profunda compreensão e genuína apreciação da pessoa, de como ela se comporta, interage e se comunica, assim como de seus interesses. O Programa Son-Rise descreve isto como o “ir até o mundo da pessoa com autismo”, buscando fazer a ponte entre o mundo convencional e o mundo desta pessoa em especial. Com esta atitude, o adulto facilitador vê a pessoa como um ser único e maravilhoso, não como alguém que precisa “ser consertado”, e pergunta-se “como eu posso me relacionar e me comunicar melhor com essa pessoa?” Quando a pessoa com autismo sente-se segura e aceita por este adulto, a sua receptividade ao convite para interação que o adulto venha a fazer é maior. 

O Programa Son-Rise oferece uma abordagem prática e abrangente para inspirar a pessoa com autismo a participar espontaneamente de interações divertidas e dinâmicas com outras pessoas, tornando-se aberta, receptiva e motivada para aprender novas habilidades e informações. A participação da pessoa nestas interações é então fator chave para o tratamento e recuperação do autismo. E o papel dos pais é essencial neste processo de tratamento. 

A participação espontânea da criança em interações dinâmicas, envolventes e estimulantes é fator chave para o tratamento e recuperação do autismo. 

Ao adotarmos uma atitude brincalhona, apaixonada e confortável, nós inspiramos as crianças a se sentirem motivadas para se conectarem conosco. Elas sentem-se então inspiradas para brincar, aprender e superar seus desafios. 

Crianças com autismo, assim como qualquer criança, respondem positivamente a pessoas que se sentem confortáveis e entusiasmadas em relação a elas. Quando nos colocamos nesta atitude, a probabilidade das crianças se abrirem e quererem se conectar conosco é maior. As crianças com autismo querem aprender e brincar como quaisquer outras crianças, mas encontram nisso grande dificuldade devido à forma como seus cérebros são estruturados. 


sábado, 5 de maio de 2012

A Terapia Ocupacional na APAE


A Terapia Ocupacional caracteriza-se por utilizar como instrumento de trabalho a atividade humana, no tratamento de disfunções físicas, psiquicas e sociais do individuo, visando o alcance de seu nível máximo de independencia.
No setor de Terapia Ocupacional da APAE, a criança é submetida a uma avaliação para identificar o seu desempenho atual, potencialidades e dificuldades. Independente do diagnostico a intervenção terapeutica ocupacional abrangerá os seguintes aspectos: 

Desenvolvimento neuropsicomotor: 
* Estimular e incentivar as habilidades esperadas em cada faixa etária; 
* Intervir no recém-nascido de risco prevenindo sequela e atraso no desenvolvimento;  
* Auxiliar no processo de aprendizagem escolar da criança com déficits e dificuldades pedagógicas;
* Orientação familiar para descoberta de potencialidades;
* Favorecer o máximo de independencia para as atividades da vida diária, pois tal independencia permite a liberdade de desempenho nas atividades educacionais, de lazer e de trabalho, exercendo real significado para o individuo. 


Favorecer o brincar
A experiencia do brincar livremente é vital para o crescimento e desenvolvimento normal de qualquer criança. Na Terapia Ocupacional, a atividade brincar, é utilizada para alcançar os objetivos do tratamento, como desenvolvimento da habilidade motora fina, controle postural e desenvolvimento de conceitos.

 

O Terapeuta Ocupacional utiliza tecnologias e atividades diversas para promover a autonomia dos alunos com dificuldades de se integrarem na vida social devido aos seus problemas físicos, mentais ou emocionais. Cria e faz avaliação de atividades físicas, prestando atendimentos individuais e grupais.

 

A ação prática do Terapeuta Ocupacional na APAE por meio de atividades selecionadas envolve a promoção e estímulos das atividades relacionadas ao auto cuidado do aluno (atividades da vida diária, senso perceptivo, lúdicas, de aspecto afetivo e social).